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16.05.18   |  Saúde Mental

Confira a entrevista com a Dra. Ana Carolina Peuker sobre o Mindfulness e saiba como atividades dessa natureza podem beneficiar a saúde

Foto: Danielle Settin (Imprensa CAA/RS)


Viver o momento com atenção voltada para si, no momento hoje e agora. Partindo dessa breve percepção sobre o conceito do Mindfulness, técnica de atenção plena — com práticas voltadas para ação e pensamento conscientes — é possível notar como repetidas vezes agimos de forma automática diante das situações. O portal CAA/RS Previne conversou com a psicóloga, pesquisadora e CEO da BEE Touch Inovação e Gestão em Saúde, especialista em Psicologia clínica, Dra. Ana Carolina Peuker para falar sobre o tema e como utilizar o método a seu favor.  

 

- Como psicóloga, pesquisadora da área da saúde, qual sua opinião sobre o Mindfulness?  

Acho importante explicar que este conceito significa atenção plena ou consciência plena (mindfulness, em inglês) e designa um estado mental caracterizado pela orientação da atenção para a experiência presente.  É um conceito encontrado em muitas tradições religiosas/filosóficas e culturas. Mas, no budismo, mindfulness é um conceito central. Talvez, por isso, muitas pessoas associam a algo místico, vinculado a uma crença religiosa especifica. Mas, na realidade, é um método secular, acessível a todos, independentemente da religião ou crença. Além disso, mindfulness é uma habilidade, passível de ser treinada, que permite que as pessoas sejam menos reativas e mais atentas ao momento presente. 

 

O treinamento deste tipo de atenção, normalmente ocorre por meio das técnicas meditativas e de outros exercícios afins, favorecendo uma maior tomada de consciência acerca dos estados mentais e ações. Ao realizar um esforço para praticar escolhas mais conscientes, aumentamos o espaço de tempo entre um estímulo (seja um pensamento ou uma situação externa) e a resposta emitida a ele. Há mais controle sobre o impulso instantâneo e reativo. 

 

Considero um recurso valioso, pois os estudos revelam que a prática de mindfulness beneficia a saúde de forma geral. Sabe-se que ela pode provocar modificações fisiológicas que reduzem o estresse e protegem o organismo contra suas ações nocivas, pois há estímulo do sistema imunológico. Além disso, melhora a auto regulação emocional e o desempenho cognitivo. Contudo, devemos lembrar que não se trata de uma panaceia, que serve para tudo. Esse recurso não deve substituir medicações e/ou tratamentos recomendados por médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde. 

 

 

- Em que casos você recomendaria o método?

As intervenções baseadas em Mindfulness surgiram há mais de 40 anos, com influência de práticas de meditação e Yoga, mas com ampla base científica. Estudos revelam que as terapias baseadas na atenção plena têm resultados positivos no tratamento da ansiedade, depressão e da dor crônica. Além disso, associa-se a estados de relaxamento mais profundos, melhorando a qualidade do sono e diminuindo o estresse, pois se associa à diminuição dos níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Essa prática tem sido amplamente adotada no ambiente corporativo e instituições de ensino, pois, melhora o foco, o raciocínio, a produtividade e o autocontrole. 

 

Trata-se de uma forma simples de consciência e, por estar disponível a qualquer pessoa, em qualquer momento, é uma estratégia útil para alívio do sofrimento emocional de forma mais ampla. O sofrimento humano pode ter muitas roupagens, como por exemplo, o estresse, a ansiedade, a depressão, os problemas comportamentais, como as questões alimentares, o uso de álcool e outras drogas, entre outros. Geralmente, lutamos contra sentimentos negativos, desagradáveis, buscando evitar a dor e o sofrimento. Do contrário, por meio desta estratégia, é possível nos relacionarmos de forma “amistosa” com o momento presente, reconhecendo o que está acontecendo – seja isso, uma experiência positiva, negativa ou neutra, de forma que o sofrimento diminua e a sensação de bem estar se amplie. 

 

- O excesso de compromissos e a falta de tempo das pessoas podem ser considerados um risco para atividades que exigem atenção?

Certamente. Ser consciente (mindful) é estar desperto e ser capaz de reconhecer tudo o que esta acontecendo no momento presente, amistosamente, sem julgamentos. O dia a dia atribulado dificulta essa conexão com o aqui e agora. De forma comum, estamos desempenhando uma tarefa, já com a cabeça em outro lugar. Dessa forma, os pensamentos desviam-se do foco no momento presente e distraem-se em opiniões e julgamentos sobre a experiência atual, resultando na falta de atenção, que se dá quando ligamos o piloto automático. 

 

Fazer as coisas de maneira automática pode culminar em risco, pois podemos quebrar ou derrubar coisas, nos envolver em acidentes ou ainda correr o risco de nos ferirmos, por estarmos desatentos, pensando em outra coisa. Isso gera um custo para o processamento cognitivo. Quando há sobrecarga, por desempenhar muitas tarefas ao mesmo tempo, surgem dificuldades de memória, na capacidade de tomar decisões, estresse, procrastinação, problemas de desempenho, entre outros.

 

Em contrapartida, por meio da atenção plena (mindfulness) nossa atenção dirige-se integralmente à atividade atual. Ao nos tornarmos plenamente conscientes, a atenção não está emaranhada no passado, nem flutuando no futuro. Felizmente, é uma habilidade que pode ser desenvolvida por qualquer um. Vivemos imersos em uma realidade cada vez mais veloz e competitiva, por isso, é vital cultivarmos a serenidade e respeitar nosso ritmo interno.

 

 

- Alguma dica para quem tiver interesse?

É importante destacar que Mindfulness não requer nenhum arsenal especial ou que tenhamos que viajar para algum lugar distante no meio da natureza para conseguir a conexão com o momento presente. Já possuímos a capacidade de estar presente, apenas precisamos cultivá-la.  Quem desejar se aprofundar no método, deve buscar um profissional de saúde capacitado em centros de formação reconhecidos, que ofereça uma abordagem científica neutra, sem cunho religioso. Algumas dicas simples de como introduzir o Mindfulness no seu dia a dia:

Respire com atenção: dedique-se 1 minuto para direcionar a sua atenção à respiração. Observe o ar a entrar, faça uma pausa, perceba o ar a sair, mais uma pausa, observe o ar entrar novamente. 

Desligue o piloto automático: pense em todas as ações que você desempenha no piloto automático e tente “desligá-lo”. Isso pode ocorrer ao trocar de roupa, tomar banho, comer ou até praticar atividades físicas. Foque nas sensações, no ambiente, na forma como se sente e em como se manter presente. Por exemplo, usar o celular enquanto come ou anda na esteira distrai, mas você se ausenta do momento presente. Desligue o telefone e observe suas reações corporais, musculares, na importância de estar ali. Busque 100% de sintonia enquanto toma banho, dirige ou quando se acomoda no sofá. Note cada uma das sensações, no exato momento, em que as vivencia.

Alimente-se atentamente: Busque estar presente, sentindo seu corpo, sua respiração e as sensações produzidas ao comer. Não mexa no celular, não ligue a TV, nem se distraia com preocupações, nem tente resolver problemas durante a refeição.

Mais infomações sobre o Mindfulness, você encontra no link https://www.iniciativamindfulness.com.br/oque

 

*A entrevistada tem Mestrado, Doutorado e Pós Doutorado em Psicologia no Laboratório de Psicologia Experimental, Neurociências e Comportamento (LPNeC) do PPG Psicologia (UFRGS). 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa CAA/RS

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